quarta-feira, 14 de abril de 2010

Propostas da Chapa 01 - "Os Lírios Não Nascem da Lei" I

Nossa Campanha para as eleições de 2010 do CAIM começou desde o dia 7 deste mês. De lá pra cá temos tentado conhecer melhor os estudantes de todo o curso e fazer com que estes conheçam nossos membros, valores e propostas. Já havíamos divulgado nos murais nossos projetos para o curso, contudo, nos utilizaremos também deste valioso espaço.

Eixo Gestão Participativa e Emancipatória - Nós da Chapa "Os Lírios não Nascem da Lei" objetivamos construir COM os estudantes e não PARA eles. O ponto central deste eixo de nossos trabalhos reside justamente em fazer com que a Diretoria do CAIM esteja aberta a um efetivo diálogo com toda a classe estudantil e não se posicione de maneira centralizadora na execução dos projetos e na realização das atribuições do CA. É preciso que os
estudantes sejam sujeitos de sua própria história e exerçam sua cidadania!

CORETUR

O Conselho de Representantes de Turma (CORETUR) é um órgão previsto no Estatuto do CAIM que objetiva uma maior integração do curso, com a troca de experiências e problemas entre as turmas, além de facilitar o contato coma Diretoria do Centro Acadêmico. Outras gestões da Diretoria se propuseram a concretizar esse dispositivo do Estatuto, mas nunca lograram êxito, o que, entretanto, nossa chapa enxerga como de suma importância e considera que sua concretização uma das prioridades caso sejamos eleitos.

Ouvidoria Estudantil

Como faço para efetivar direitos garantidos pelos regimentos institucionais da Universidade? Essa é uma pergunta que incontáveis estudantes de Direito fazem-se ao longo de suas jornadas acadêmicas. A fim de satisfazer essa inquietação coletiva, nasceu o projeto de criação de uma Ouvidoria Estudantil no curso de Direito. Pode ser a falta reiterada de um professor, a realização de arbitrariedades por servidores e professores dentro do ambiente universitário, o pedido de conserto de um ventilador de uma sala de aula ou o elogio pelo bom funcionamento e administração do curso. O canal onde ocorrerá essa comunicação será via email, onde o estudante terá suas dúvidas, sugestões e reclamações ouvidas e analisadas. O sigilo da identidade do estudante será garantido pelo CA. É necessário, porém, deixar dados básicos (nome, período, turno) para que o esclarecimento ou investigação seja feito com maior eficácia.

Chamada do Professor

O projeto tem como objetivo principal institucionalizar um controle da freqüência dos professores por parte dos alunos. É de responsabilidade do representante de turma participante do CORETUR o registro da assiduidade dos docentes em todas as disciplinas. Tal proposta já tem respaldo institucional porque esse mecanismo já foi reconhecido pela própria Pro-reitoria de Ensino, com conhecimento do Departamento de Direito, desde o final de 2006.


terça-feira, 13 de abril de 2010

Sobre semear lírios e caminhos

“Este é tempo de partido, tempo de homens partidos”. Assim se inicia o poema “Novo tempo” de Carlos Drummond de Andrade e assim se iniciou o Movimento “Os Lírios Não Nascem da Lei”: de um tempo de homens partidos. Para ser mais exato, surgiu de pessoas inquietas com essa situação. Pessoas que viam um cada vez mais árido curso de Direito na Universidade Federal do Maranhão, mas que mantinham suas esperanças de dali fazer germinar algo novo, mais belo, mais justo, em contraste com toda a atmosfera de autoridade, desesperança, marasmo, academicismo e tudo o que nós do movimento chamamos genericamente de “antilirismo”.

Mas como proceder em um cenário em que muitas vezes se nada contra a correnteza? Como avançar em uma luta que muitos já abandonaram, onde tantos desistiram, esgotados? Quando não se pode mais ir por caminhos já fechados, resta-nos descobrir novos caminhos, abrir novas passagens e trilhar um futuro diferente. É a isso que nós, do Movimento “Os Lírios Não Nascem da Lei” nos propomos: fazer diferente. Não nos contenta a mera representação, característica do Movimento Estudantil tradicional; queremos fomentar a emancipação e o protagonismo dos estudantes. Queremos que aqueles que detêm os direitos sejam realmente os responsáveis pela efetivação daqueles, que não dependam de outros para que isso aconteça. Pretendemos construir um curso novo juntamente com todos os estudantes; que estes sejam de fato, e não apenas formalmente, membros do Centro Acadêmico I de Maio.

Queremos diálogo de verdade, aquele que prima pela horizontalidade entre os sujeitos, que só é feito entre iguais. Queremos que isso se dê entre os estudantes, entre estes e o departamento e a coordenação do curso, entre os outros cursos, entre a Universidade como um todo e a sociedade de modo geral. É este diálogo que não vemos acontecer nos dias que ora correm e é pela concretização dele que pretendemos lutar, porque entendemos que isso por si só já é a base para grandes transformações em nosso curso.

Sabemos que nossas pretensões não são simples, mas temos propostas lúcidas e coerentes de buscar formas de efetivá-las. Acreditamos que o Direito não é uma ilha isolada no vasto oceano do conhecimento humano; podemos sim aliá-lo às mais diversas formas do saber e do agir. O Direito não precisa estar desvinculado da poesia, da luta, da alegria, do lirismo. Isolados em nossa torre de marfim, jamais saberemos que mundo é esse que todo dia juramos defender, que sociedade é essa pela qual iremos lutar, até que nos deparemos com eles frente a frente – um momento em que pode ser tarde demais.

Acreditamos no Direito, mas temos plena consciência que ele não se esgota nas leis. “Os lírios não nascem da lei”, como bem disse o jurista e poeta Carlos Drummond de Andrade. Para que nasçam os lírios precisamos dar as mãos, lutar e erguer nossas vozes, caso queiram calá-las. Para concretizarmos nossos direitos, precisamos buscar novos caminhos, cultivar novas práticas. Como já dito, isso nada tem de simples, mas também está longe de ser inalcançável. Não somos lunáticos – somos sim, sonhadores, porque sabemos que a utopia não é um lugar para se chegar, é um farol que mostra o melhor caminho. Não o mais fácil, não o mais trilhado; é um caminho diferente, porém, e confiamos na força dos nossos ideais para que nos dê coragem para segui-lo, abrindo passagem para que outros também o façam.

“Como sei pouco, e sou pouco,/faço o pouco que me cabe/me dando inteiro. /Sabendo que não vou ver/o homem que quero ser.” (Thiago de Mello)

quarta-feira, 10 de março de 2010

Do antilírico, a semente[1]


Qualquer peça que traga em seu interior narrações e reflexões acerca de fatos situados no passado, históricos, jamais pode ter seu entendimento reduzido a um discurso de condenação de mentiras, nem tampouco pode ser encarada como um discurso de exaltação e apologia à ‘verdade’. Nós do movimento “Os Lírios não nascem da lei” possuímos consciência disso. Contudo, estamos convencidos também de que o discurso, por si só, já é um objeto de conflito no seio da sociedade e, neste contexto, a existência de diversas interpretações históricas cresce em importância no sentido de fundamentar coerentemente as situações e lutas do presente e do futuro.Traremos, assim, neste breve texto reflexões acerca de como se situava o Curso de Direito na conjuntura anterior ao surgimento do nosso movimento e, em seguida explicaremos como e com quais intuitos surge o “Os Lírios não nascem da Lei”.

O Curso de Direito da Universidade Federal do Maranhão há um bom tempo atravessa um período conturbado. Apesar de ter completado, em 2008, seus noventa anos de existência, tal longevidade não se reflete num ambiente acadêmico propício ao desenvolvimento de um ensino mais profundo, crítico, de ensejo à pesquisa e à extensão. Um curso como o nosso que, diremos, há muito atingiu a maioridade, não pode adstringir sua produção científica à realização de sínteses e à difusão de conhecimentos produzidos em outras Instituições de Ensino Superior. Salvo a realidade dos núcleos de pesquisa e extensão, os quais abrangem uma minoria ínfima do contingente de alunos no Curso, poderíamos dizem, sem embargos, que ação restrita à sala de aula quase constitui uma regra que nos situa à margem de uma real vivência do tripé universitário: ensino pesquisa e extensão.

Se por um lado o Curso vem respondendo insuficientemente à sua função de investigação científica e produção de conhecimento, não podemos olvidar também que muitos dos alunos que buscam a Universidade não ambicionam integrar o “monastério dos sábios” e unicamente produzir Ciência do Direito. Sem desejar esmiuçar tal fenômeno, diremos que é reflexo da mudança de postura da Universidade ao tentar romper com o casulo que a isolava da sociedade e, assim, passar a assumir outras demandas que não a produção de “saber desinteressado”. Entretanto, mesmo em relação a estes alunos o Curso não responde a contento. A falta de delineamento do que significa ensinar Direito e qual aluno se pretende formar, a defasagem da grade curricular e a falta de conciliação entre o conhecimento teórico e a prática jurídica, por exemplo, são episódios que refletem a inadequação do curso à realidade social do nosso país e também à ótica do mercado de trabalho.

Somando-se a isso, ao longo desses últimos anos, lamentavelmente vêm se arrastando uma série de deficiências e vícios que, vez ou outra, se acentuam e mostram sua sombria e desoladora face. Exemplos como a ausência de certos e conhecidos professores, que pouco ou nunca vão ministrar as aulas, as arbitrariedades praticadas por alguns destes e legitimadas pela Chefia de Departamento e/ou Coordenação, a infra-estrutura precária das sujas e apertadas salas de aula e a biblioteca com poucos volumes e desatualizada mostram um panorama da situação. Especificamente quanto ao corpo estudantil, ele minimamente ou sequer interfere enquanto protagonista do curso, muitas vezes sem tomar a dimensão de que a maneira como atua na universidade influencia definitivamente na vida acadêmica. Assim, quando por parte dos estudantes não há reivindicação do direito de participar da construção do plano político-pedagógico do Curso, ainda que mediatamente, tem se legitimado muitas dessas situações desalentadoras.

Em meio a este “tempo de homens partidos”, nasceu o Movimento “Os Lírios não nascem da lei”. Além da fusão dos sentimentos de inquietação frente aos problemas acima expostos, os quais de início uniram fortemente os integrantes do nosso movimento, foi a crença comum de que ainda é possível reverter esse quadro e lutar para garantir os direitos dos estudantes, através da organização e mobilização coletiva, que consolidou o movimento. Acreditamos, sim, ser possível fazermos nascerem coisas belas quando acreditamos e lutamos juntos. Ao pensarmos ser a luta pela efetivação de direitos, pela construção de um saber crítico e atencioso à realidade histórico-social em que nos inserimos aquilo que norteia nossa formação durante a faculdade, nos habilitamos para, no futuro, agirmos não como perpetuadores da desigualdade vigente, mas para nos posicionarmos sempre em busca da ordem jurídica justa.

O nome do movimento, a propósito, foi retirado de um verso do poema “Nosso Tempo” de Carlos Drummond de Andrade e se coaduna com a ideologia do grupo. Afirmando que mesmo passando por ela, o Direito e a Justiça não se esgotam na Lei, expressamos, com efeito, posição contrária à tecnicista que muitas vezes é posta ou surge no aluno na academia. Trazer a linguagem poética para o Direito simboliza, portanto, uma tentativa de libertá-lo do seu sono dogmático, de fazer entender que além de leis, doutrina, jurisprudência e afins, existem outras formas de linguagem válidas que expressam um Direito mais próximo da sociedade e dos seus anseios últimos de justiça, situando-o entre a razão e a sensibilidade. Algumas associações como Direito e Literatura, Direito e cinema, por exemplo, permearão nossos discursos e projetos constituindo, assim, parte do esforço de inflar novos ares aos corredores. Ares que respeitem o pluralismo político, filosófico, ideológico, religioso e a liberdade de expressão.



[1] Texto produzido por Paulo César di Linharez, acadêmico do 3º período, turno noturno, em parceira com Thiago Gomes Viana, acadêmico do 9º período, turno noturno e Carlos José Everton, 4º período, turno matutino.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Sobre a criação do mundo e os Lírios que não nascem da lei

Desde o início das coisas o mundo é poesia. Lá nos confins do tempo, do alto de seu vasto e tedioso céu, Deus orquestrou sozinho o mais belo concerto que já se viu, regeu uma explosão tão grande e tão mais linda que qualquer coisa que avistara à época. De mil e milhões de Megatons, fez-se tudo daí - sete dias de poiesis, aisthesis e katharsis! Se deliciou com os contornos de sua obra, fez arte, ar, terra, água, fogo, periquito, galinha e papagaio. Por fim, fez de si mesmo uma arte e se consubstanciou no chão. Brotou, então, da terra, a imagem e semelhança de Deus.
Mas Deus, que de tudo sabia, não esqueceu o que viria a produzir sobre hermenêutica das artes. Sabia que apesar de ter criado horizontes estéticos, sua obra ganharia as ruas e as múltiplas interpretações. Era algo inerente à própria criação artística. Como não esperar que preenchessem os espaços da sua obra com tantos significados, se ele mesmo havia dotado sua mais perfeita criação de razão própria e de livre-arbítrio? Era esperar pra ver...
A transmutação da arte divina foi inevitável. Tudo quanté criatura se sentiu na qualidade de co-autor, de escritor do seu destino e do destino de todo o resto. Aos trancos e barrancos a poesia subsistiu. Horas um lirismo embevecente, outras, versos decadentes. Quantos não foram os que criaram o belo e o justo onde Deus quase já havia desistido? Na outra mão, quantos não quiseram, às paisagens, impor molduras, impregnar o livre texto com tolas regras de acentuação? Era um contrabalanço perigoso. Se, num piscar de olhos, Deus desse um cochilo, podia ser que o mundo não resistisse a tal tensão.
A Universidade Federal do Maranhão não estava à margem dessa interação artística. Indiretamente também era obra de Deus. O curso de Direito, então, nem se fala... Entretanto, algo parecia estar correndo errado por ali. Alguns indivíduos começaram a levar tanto à risca a idéia de razão própria e de livre-arbítrio que da própria razão edificaram “A razão” e do seu arbítrio fizeram lei - compuseram versos decadentes de tal estirpe que comprometeram seriamente todo o horizonte estético e suprimiram a auto-estima do curso. À poesia, sequer ofereceram um consolo: um marasmo antilírico servia de combustível à situação.
Sob o risco de sucumbir ante essa penumbra, a Universidade clamava por mudança. O justo e o belo ainda podiam ser construídos ali, ainda pulsavam peitos pelos corredores. O prenúncio do poeta encontrava, assim, um meio para se propagar - era possível se ouvir o eco, ainda que distante: “As leis não bastam, os lírios não nascem da lei”. Como foi alentador perceber que em meio ao monstro de concreto uma flor poderia surgir do chão. Os lírios brotam da terra, um peito pulsante pensou. E o curso de Direito nunca mais havia ser o mesmo.


(Paulo César di Linharez - acadêmico do 3º período, turno noturno)

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Ah não, Bandeira!

(Ao Direito Civil)

Um cambaleante toxicômano,
talvez um ébrio habitual,
me catequize o novo dialeto.
Fecho os livros, os olhos...
RELATIVAMENTE INCAPAZES!
Minha’lma sim!,
vê um homem
afogado em sua desgraça.
Sem flores ou floreios.
Desgraça.

Nada como a desgraça em Chico, não?
Doce e lírica...

Mas se bem me parece,
o homem antes mergulhara
numa garrafa antilírica.
E tanto ajudava o motorista ao acelerar brecar bruscamente...
E tão amargos eram os risos ecoantes quando se desfigurava no piso imundo...
Aonde leva a condução?
Desequilibrados! Desequilibristas!
Todos rumo ao mesmo destino.

Ah não, Bandeira,
minha’lma insiste em ver homens...
Desgraça!

( Paulo César di Linharez)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Baile do Parangolé - 31 anos da SMDH

A Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) completa, em 2010, 31 anos de reconhecidas lutas pelos direitos do povo maranhense. Como forma de fortalecer e ratificar ainda mais sua atuação, a Sociedade lançará a campanha “Direitos Humanos em Movimento”, a qual já dispõe de ampla programação para todo este ano, e também homenageará um dos seus mais ilustres filhos, César Teixeira.

Convida, assim, a todos os militantes que se engajam na defesa pela vida para participarem no próximo dia 12 de fevereiro do Baile do Parangolé, sexta-feira “gorda”, no Sindicato dos Arrumadores, na Rua da Estrela, Praia Grande.

Compareçam!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Convite

O Movimento "Os lírios não nascem da lei" se aproveita deste espaço para divulgar o convite que a Comissão Gestora do CAIM faz a todos os estudantes.

CONVITE

A Comissão Gestora do Centro Acadêmico 1º de Maio convida todos os estudantes interessados em auxiliar na construção da Semana do Calouro de Direito 2010.1 para uma reunião a ser realizada no dia 02/02/10, às 19h, na Sala F101, do CCSO.

Sua presença é importante para a acolhida dos novos estudantes!

A Comissão